Doenças Cardiovasculares nas Mulheres

Sabemos que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morbidade e mortalidade em todo o mundo e também no Brasil. Na população feminina supera o câncer de colo de útero e o de mama, assim como as mortes no parto. É pouco frequente em mulheres antes da menopausa já que não há fatores de risco nesse período. Essas doenças manifestam-se clinicamente após a menopausa e são associadas a outras condições tornando seu prognóstico mais desfavorável.

Os fatores de risco específicos para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares em mulheres são as variações hormonais, gestação e menopausa. No entanto, provavelmente o maior obstáculo à melhor abordagem da doença cardiovascular é que a mulher não vê este como fator de mortalidade.

Evidências cientificas demonstram que existem diferenças entre os sexos na fisiopatologia, apresentação clínica, encaminhamento para cuidados e o tratamento da doença isquêmica cardíaca. Os resultados, prognóstico e evolução clínica são diferentes também. É interessante notar que as mulheres apresentam manifestações clinicas(angina e infarto do miocárdio) de 10 a 15 anos mais tarde que os homens. Especula-se se podemos atribuir este fator à proteção estrogênica,presente até a menopausa ou ao efeito pró aterogênico dos hormônios sexuais masculinos.

FATORES DE RISCO

Constituem fatores de risco para as doenças cardiovasculares o tabagismo,tão combatido nos últimos tempo e que na população feminina não encontrou resultados muito favoráveis.

sedentarismo e a obesidade abdominal também devem ser combatidos nos dois gêneros.

hipertensão arterial que acomete as mulheres por volta da menopausa deve ser tratada de preferência com drogas de efeito sinérgico( IECA ou BRA,BCC,DIURÉTICOS) e com poucos efeitos colaterais, tanto do ponto de vista metabólico, como clínico.

diabetes mellitus, o verdadeiro vilão das doenças cardiovasculares e que deve ser tratado com veemência com as diversas classes terapêuticas,múltiplas associações para um resultado mais efetivo.

Quanto às dislipidemias é importante salientar que níveis elevados de LDL-colesterol e níveis reduzidos de HDL colesterol contribuem de maneira significativa para o desenvolvimento da aterosclerose.

Quanto à idade sabe-se que os homens tem doença coronariana mais precoce em relação às mulheres,porém à partir de 65 anos essas taxas se igualam e com uma agravante,a mortalidade feminina é maior nesta faixa etária.

Um outro aspecto importante é o uso de pílulas anticoncepcionais que favorecem atividade trombótica se a dosagem hormonal for alta.

A síndrome dos ovários policísticos é uma doença de mulheres em idade reprodutiva,caracterizada pelo desbalanço hormonal com hiperandrogenismo que é também fator de risco cardiovascular e aceleração do processo aterosclerótico.

ASPECTOS CLÍNICOS E DIAGNÓSTICOS

A sintomatologia em casos de angina/infarto do miocárdio em mulheres não é bem clara. Pode haver sintomas como: dor epigástrica, dor cervical, palpitações,angústia,cefaléia,ou até assintomática.

O teste ergométrico deve ser o exame inicial na avaliação da doença coronária no sexo feminino. Quando máximo e negativo para isquemia,nenhuma avaliação adicional é necessária.

Entretanto na presença de resposta isquêmica ou de teste negativo submáximo a investigação diagnóstica tem de prosseguir com outros métodos não invasivos associados à imagem,como cintilografia de perfusão miocárdica, ecocardiograma de stress,escore de cálcio ou angiotomografia de coronárias.

Devemos salientar que o teste ergométrico tem alta taxa de resultados falso positivos no sexo feminino,variando de 38% a 67%,ante uma faixa de 7% a 44% no sexo masculino. Some-se a isso a menor capacidade física ao exercício observada no sexo feminino,sobretudo em idosas,bem como a alta prevalência de doença coronariana não obstrutiva e de doenças de microcirculação presente nesse gênero. Observa-se ainda frequentes alterações eletrocardiográficas na ausência de doença coronariana obstrutiva significativa em casos de prolapso da valvula mitral,hipertrofia ventricular esquerda e variações hormonais.

CONCLUSÃO

As doenças cardiovasculares representam importante causa de morbimortalidade em mulheres, principalmente após a menopausa.O diagnóstico é menos preciso nessa população e por isso novas tecnologias podem representar valioso auxílio. A prevenção e o controle de fatores de risco devem permanecer como principal foco quando o objetivo é reduzir o impacto das doenças cardiovasculares no sexo feminino.

DR. FABIO MÉLEGA VILLELA