Depressão e Síndrome de Burnout

Quando pensamos nas mudanças pelas quais os sujeitos vem sofrendo nos últimos tempos não podemos deixar de pensar nas novas formas de se relacionar e se comunicar. Tudo atravessado pelos dispositivos virtuais e sua velocidade.

Os dispositivos virtuais e suas tecnologias trouxeram muitos ganhos: acessibilidade, disseminação da informação, possibilidade de contatos pessoais, organização de manifestações sociais e até políticas. Tudo pode virar notícia em Tempo Real. Os tablets e smarphones podem capturar imagens e distribuir na rede. A informação vem de todos os lados.

Agilidade, conectividade, permeabilidade, hiperexposição, instantaneidade e simultaneidade.

No entanto esta aceleração das informações pode gerar um excesso de demanda. Todos conectados o tempo todo: sempre recebendo e trocando mensagens e informações. Sair sem o celular ou ficar sem 4G ou WiFi é quase impensável. Somos invadidos por modelos de como ser e viver. Viramos consumidores de perfis e identidades. Sabemos todo tempo onde as pessoas estão, o que fazem, o que comem. Nem sempre sabemos o que pensam e sentem.

As crianças já nascem com as fotos na rede. Em seguida tornam-se crianças também conectadas. Comunicam-se via jogos virtuais. Brincam pouco.

Este excesso de imagens de como ser e viver pode criar um esvaziamento da experiência. As pessoas sabem como devem ser, onde devem ir e o que devem comer mas muitas vezes não conseguem ou ficam aprisionadas mais na imagem do que na experiência.

Este não conseguir ou estar aprisionado pode gerar um sentimento de tristeza ou de não-pertencimento. Podemos considerar as depressões, síndromes do pânico e burnout como patologias da modernidade. Patologias da velocidade: quando tudo é imediato e eu não consigo acompanhar.

Ai pode vir o isolamento em contrapartida ao excessivo pertencimento. Já que não consigo acompanhar não saio de casa, não trabalho, tenho medo. Cansaço, insônia, perda de apetite, perda de memória, desmotivação, déficit de atenção entre outros. Uma espécie de curto-circuito da máquina. Do sujeito que não poderia ser tratado como máquina.

E como tratar?

O tratamento passa por um diagnóstico diferencial feito por alguns profissionais para definir a patologia. Assim sendo o tratamento pode incluir medicação e/ou acompanhamento psicológico bem como mudança nos hábitos de vida.

Carina Gambale
Psicóloga Clínica